sábado, julho 11

Fim das contas.

Me perguntaram tantas vezes, que eu tinha que dizer.
Não bastava dizer, eu tinha que publicar, gritar, sair correndo com uma placa no pescoço, uma faca na mão e um corte no braço ameaçando um suicídio. Confessar tudo que estava intalado.
Subir e descer quinhentas vezes no elevador, só pra provar que meu medo era falta de costume. Hoje eu desço e subo sem notar que não sinto mais medo, ainda com ele engasgado na garganta, mas sem senti-lo. Sempre minto, ainda digo que tenho medo, mas eu sei que não tenho mais. To dentro das minhas letras, das frases repetidas, da poesia coesa, das vírgulas inapropriadas, da falta de sentido. O bisturi no lugar das teclas. De repente o branco não é mais um adjetivo das minhas crônicas sobre mim mesmo. A pausa no tempo já não é mais o meu amor, a minha atriz principal, meu número predileto. É o meu nariz entupido de manhã, torcendo pra não ser H1N1, não por medo de morrer, por simples falta de tempo. Sem tempo pra ficar doente e morrer, como se morrer tivesse nos planos secundários, tenho que me formar antes, depois residência. Depois ala cirúrgica e então paramos. Na mesa de operação? Não, na frente dela cortando a cabeça de alguém que tem mais tempo do que eu pra morrer. Só que eu não vou poder deixa-lo morrer, então, eu acabo tirando o direito dele ter tempo pra morrer. Isso porque no fundo tenho ciumes dessa oportunidade que eu não tive. Ele é um cineasta rico. Assistiu tudo que podia ser considerado belo e teve tanto talento que criticou tudo e levou consigo todo mundo, todos deixaram de achar belo porque ele quis assim. A cabeça dele aberta nas minhas mãos. E o filho dele também, eu farei o parto do herdeiro do cara que eu não me tornei.
Ninguém me pediu isso, não fui covarde - pra onde as pessoas queriam que eu fosse?
Não abandonei meus sonhos, só me cansei de ver todos viverem eles por mim. Não to falando do sonho de cada um, sim, dos intrusos que se enfiaram nos meus. Troco os signos pelas vidas.

E o tempo se encarrega do resto.

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