domingo, dezembro 30

Conservadorismo e sutileza

Soa pretencioso, mas aposto na sua ignorância sob aspectos diferentes, os que você aprendeu a odiar/repudiar/idolatrar. Creio piamente que por maior que seja tua "libertação" de cadeados sócio- mediocres, suas reações estão exatamente treinadas a seguir "padrõezinhos" famigerados.

Estou sendo enfático? Isso deve te incomodar, bem vindo ao primeiro passo de: "Olha! Como descobri o que iria sentir? Graças a nossa condição bovina!"

A nudez.
É incomodo olhar pra tal, sem singelidade, sem pudores. Isto por sí é um padrão estético alternativo e isso te faria pensar em tudo menos no que realmente quer dizer, seus olhos te enganam! Não os culpe, tome nota e agradeça à vossa "santidade" Constantino Magno. Um homem adulto, caucasiano, de aparência mediana que nos remete a certa paternidade. Parcialmente morto ou estático, gritanto frieza. Eles te enganaram novamente, chama-se: "Dead Dad" e foi manualmente (fantasticamente) esculpido por Ron Mueck (artista contemporanêo).

A dualidade.
Sim! Não seja um subjulgado moralista, é uma vagina no cerne da maçã. Nada te engana aqui, mas não estou rindo nem tão pouco achando engraçado. Há preconceito nesta imagem, há bizarrice intensa e ela lhe diz em outras palavras: "A mulher induziu a Adão pecar. Coma a maçã e junte-se a eles no Node" Quer ir ao Node, então racíocine.

O nojo.
Isto sái de você o tempo todo e esse é seu futuro. Seja mais nojento e compre um delicioso "BigMac" e financie a guerra no oriente médio. Fora de contexto? Pense bem antes de criticar!

O que quer de sua vida mediocre, não há mais nada a ser treinado. De fato eu sou bem mais manipulado que você dentro desta deliciosa seleção de "coitos alheios" e também dentro das "furnicações nojentas" de um pais tropical e suas volúpias. Eu estou completamente insano e não tenho nada a perder, dignidade para mim não passa de "votos de são valentin" e vergonha como dizem por aí é algo que nunca hospedou-se aqui.
Seja difrente e não grite: "eu sou socialista e vou virar hippie!" (vide redundância), menos ainda "I hate americans". Você é um americano!
Apenas olhe para sua merda, como ela olha para você!

Em três minutos de vida, corra dois e meio!

sábado, dezembro 29

Coerência de duplicidade estética



Após a leitura visual/sonora deste video, posso dizer que sinto estas sensações de maneira limitada, permitindo me elevar alguns instantes até algo que chamo de "out".
Sinto sabores leves e recordações singelas.



Entenda, mono-intesamente (vide neologismos) partes diversas de minha mente gritam por segundos inteiros. Já sentiu sua mente berrar? Um miléssimo te faria gritar com ela! Inércia? Intensa multilação!

Esteja lúcido, não queira ouvir a sua. Não se tente, se salve.

terça-feira, novembro 6

Vazio

Exatamente isso, um corpo.
Ceptisismo.
Nunca esqueça sua verdade.

3:14

- Desde a infância queria chamar atenção. É deslumbrante sim, praticamente perfeita. Praticamente? Esteticamente direi. Ninguém é mais culpado que si mesma, Alícia jogou no vaso sanitário seus sonhos, ela estava a tanto tempo procurando esse maldito hedonismo. E quando achou, o enfiou vagina à dentro. Tenho para mim, que toda essa ninfomania, é fruto de sua frustração. Engraçado, ser mãe era algo utópico para Alícia, porém, era tão obscuro para seus "padrõezinhos". Tinha porte de Audrey, lábios de Vincent Longo. Quando tocou os olhos ao espelho berrou. Mas não berrou apenas sua aparência, berrou a dor de um mortal, a dor de ter sentimentos. De sofrer ao descobrir que amava, mesmo tão fria, tão esquálida.
Foram horas de lágrimas, remédios. Seguiu-se de silêncio e olhar atento dos ponteiros sob ela. Pensou em queimar tudo, queimar sua pele. Não poderia amar Isaac, e mesmo, não poderia perde-lo. Não para outro.

Olhou para o espelho, insultando sua sanidade e se cortou com a navalha. Queria ver mais sangue, queria mais. Idiota, esqueceu de atentar-se. Cortou o pulso. Alícia você está bem?

Seu último ato. Selando com um beijo intenso na face espelhada.
Será que sua carcaça vale mais que algum vison?
Vasos orientais, virginalmente únicos. Pele humana vale muito no mercado negro.

domingo, novembro 4

Tomo Único

Certa vez, imaginamos quanta vítalidade temos e quanto podemos resistir a tudo.
Porque nos iludímos com falsas esperanças, dizendo: tudo vai passar. Mas não vai passar e sabemos, somos seres melâncólicos, vivemos e construimos nossas vidas em cima de realizações, seja elas qual forem, ainda, que só as queira para obter felicidade, será por um breve momento. Quanto tocardes o topo, voltará para a melâncolia. Não faz sentido, continue e morra antes de alcançar, antes à frustração que o vazio e perder seu sentido de existência!
Você realmente existe?
Último relato dos "Fragmentos Secretos" de Rótis. Confessional e esclarecedor. Criado mês passado, após longas obervações em exercícios anteriores de curso. Não irei saudar esta leitura, realmente por não caber uma saudação neste contexto!

"E então as nuvens se abrirão para mim,
e vou encontrar meu Jesus Cristo.
E verei a história antes de mim.
Para o prazer e a paixão,
você sacrifica a tristeza.
Assim, tudo pode.
Como os rancores do chifre de Mefistófeles,
que vieram para minha alma."
Then The Clouds Will Open For Me - Placebo

10/09/2004

- Sinto a maiór de todas as dores. Remorso imperdoável.
Eu disse que acabaria com tudo e ainda não o fiz. Fomos à boate, estavam lá muitos conhecidos de Isaac, eles se animaram e a "sessão seringas" começou antes do normal. Estava cansado, minhas pernas doíam muito, disse a Isaac que iria embora e saí em meio a tantas companhias. Sentia-me só, completamente isolado dentro de minha gaiola de privações. Gaiola que eu criei, não bebo, não fumo e ainda nem suporto olhar aquelas seringas. Precisei de uns segundos longe daquele social todo. Encostei em algum lugar meio escuro, três garotas bêbadas riam e falavam algo de como matar seus pais, não importa. Tive exatos três minutos, meus, totalmente só com minha mente confusa.
Quando perto do final disso, minha mente se rejubilava em Placebo, Isaac chegou. Acompanhado de tantas palavras, a sua volta giravam muitas conversas, mesmo ele vindo só. Eu sempre o enxerguei assim, vivaz, tirava disso conforto e porque não inveja. Afinal, vivaz é tudo que não me define. Senti seus olhos pesados em cima dos meus, um peso admiravelmente estranho. Indaguei o que havia acontecido e ele me pegou pela mão e disse: - "Vamos cair fora, a Líli daqui a pouco está ai!".
Quem disse a ele, que eu queria evita-la, eu queria poder mostrar a ela o quão a desprezava. Mas sou inerte e ele me levou sem se quer um ruído de objeção de minha parte. Repetiu várias vezes ao longo do caminho, que me considerava muito. Estava com medo, Isaac não foi capaz de desejar felicidades a seu pai, quando ele se casou de novo. E seu único comentário foi: - "A filha dela é uma delícia!" referindo-se a Aiko, filha de sua então, madrasta.
Subi aquelas escadas cinzas pela segunda vez, e isso, me intimidava muito. Meu alívio era não tê-lo escorado em mim, para subi-las, como na primeira vez. Entrei e pensei logo na cara que Alícia faria se me visse ali. Ele indagou sobre ter a deixado lá, dizendo sobre seu porre do dia anterior mas ele falava com desprezo. Após muitas porcarias ditas, decidimos fazer aqueles jogos de falar a verdade. Não gosto disso, isso me irrita e além de que não iria realmente dizer a verdade. Ele estava confiante, me fez perguntar sobre tudo e tudo parecia razoável, logo eu iria dar o maço de cigarros e definitivamente sumir de sua vida. Antes que eu tomasse coragem para cumprir meu objetivo, ele falou algo realmente perturbador. Perguntou: - "Então, sabe como é, verdades devem ser ditas, e como você é delicado... Ó só, você já teve relações homossexuais?".

Tive uma série de reações, e não podendo mais fugir daquele questionamento, me surgiu fugir daquele local e dele, para sempre. Levantei com aspereza, e saí pela porta com muita indiferença, por dentro meu coração quebrava-se de dor e as lágrimas vinham nos olhos, mas segurei firme, como nunca havia feito. Era o momento de quebrar as correntes e enfim. Ele, pela primeira vez, pensou com medo no que tinha acabado de fazer. Saí do hall, e comecei a passos fortes me distanciar de lá. Mas me surpreendi, com um grito de desespero de Isaac: - “Não Rótis, por favor meu, me ouve um minuto!”.
Estava quase adivinhando o que ele ia dizer, mas me permiti o esperar e ver o que ele diria. Ele me olhou e o fez com muita pureza e foi quando comecei a perder a capacidade de raciocínio. Impossível, ele não...
- "Rótis, me perdoa? Nunca quis te machucar, e sei que é só o que tenho feito”.
Anestesiei-me e nada disse, abaixei minha cabeça e minhas lágrimas escorreram finalmente. Ele se aproximou e me abraçou, com muita força. Olhou em profundo meus olhos e aproximou seu nariz gelado na minha bochecha. Fechei os meus e precedi o que viria a seguir. Sem resistir, nos beijamos com muita tenacidade, contei cada segundo. Mas um grito maldito, cortou o ar. Ela novamente em meu caminho, Alícia estava totalmente machucada e suja, senti pena dela. Logo vi Isaac e ela aos gritos, eu tapei meus ouvidos, não queria sofrer com aqueles insultos, entre eles muitos ditos a mim. Ele a expulsou, e me tomou pela mão me levando para o prédio, eu olhei para trás e a vi, desmantelada e caída em choro. Não a queria desse jeito, nem se quer a odiava, eu acho, sei que a culpa nessa hora estava praticamente me sufocando já.
Ao subir, o que eu temia, transamos. Dizem que quanto mais perto da sabedoria nossa alma estiver, nosso corpo estará a profanidade. Não posso suportar isso. Ali assinei meu testamento. Não há mais escolha. Antes que nada possa ser escrito, registrei como último hábito o momento em que me libertei da gaiola e de que morri por não saber voar.
A colt 38 está carregada, me perdoe Isaac. Perdoe-me...

Guardando o diário abaixo do colchão e fitando a última vez Isaac em sono profundo.
À bala sai do revólver, girando seu tambor as exatas 3:14 da madrugada, em 11 de setembro de 2004.

sábado, novembro 3

Acto - Ultramontanismo

Silhueta breve de longos acontecimentos, a introdução está em sua percepção.
Narrativa paraléla, alimentem-se e devorem tudo.

Acto - Suas viceras estavam pulsando, quentes como seu temperamento. Não era efeito do ácido nem da farinha. Ice-Box queria ladrar e morder como um Bull Terrier, espumava de êxtase. Nina estava lá, lambendo os gostos do rei-demônio Ice-Box, procurando das migalhas dela um pouco de evidência. A Europa estava à tona e brilhando: soco-inglês e canivete-suiço. Preferia armas brancas, gostava do arranhar da carne, gostava de causar dor.

Ultramontanismo - Ainda letárgica, Alícia, levantava-se, sentia a sensação de dormência nas pernas e sua cabeça doía intensamente. - "Apaguei!" imaginou ela. Olhou, o quarto caótico, cuecas e meias. Era o quarto de Isaac. Levantou-se e o procurou, não havia ninguém, olhou para o relógio e passava das 19:00 horas. Vestiu-se e maquiou-se muito forte, trancou a porta e desceu gritando com seu scarpin nas escadarias.

20:00

Acto - Sentiu medo, leve excitação. Ouvindo o pulsar do coração de sua vítima.

Ultramontanismo - As lágrimas corriam de seus olhos, fora tomada por ódio, sentia-se traída. Não compreendia, mas no fundo sacou que tinha perdido Isaac. Definitivamente ele se foi.

21:30

Acto - Seus olhos estavam rubros - "Não grita sua vadia, cala essa boca podre!". Assim sucedeu-se uma remessa de socos e pontapés. A pele estava roxa e fina, o sangue já estava aparente em todo o rosto de Alícia. Ice-box gritava com voracidade, estava arrancando sua redenção, estava salva. Observando seu perdão. Tocando ele, fazendo amor com sua própria convicção, seus ideais. Manoelíta.
Acorde! Acorde!

Ultramontanismo - Estava toda dilacerada, mal conseguia falar, sentiu tontura e por um segundo o tempo parou. Lembrou-se de sua infância e toda sua vida medíocre. Não suportava mais, não tinha uma alma dentro de si, Alícia, um pobre manequim. Sua reação era silenciosa, olhava o rosto de Ice-Box e imaginou que, seria um dos cavaleiros do Apocalipse a puni-la. Iniciando mais tapas, dentro de algum lugar, Alícia se observava. Sentindo remorso soube que não se amava, nunca se quer se amou. Percebeu sua farsa, suas mentiras aptas a alivia-la. Tocando seu seio, já ensangüentado pensou em seu sonho secreto: ser mãe. - "Não há nada, eu sou uma vagabunda, me vendi e vendi meus sonhos. Onde estará meu filho, ele nunca sairá de meu útero escroto, Deus nunca me conceberá perdão, eu mereço a morte”.

Acto - Levantou-se e correu, olhou para trás e despediu-se dos olhos da putinha. Estava feito, era preciso de silêncio.

Ultramontanismo - Ao acordar, olhou o sangue e gemeu sua enorme dor. - "Preciso ver Isaac”...

"Não há necessidade de você dizer que viu a vida que eles escolheram para mim"
Jesse - Ivri Lader.

sexta-feira, novembro 2

Boutique

Delicioso, posso sentir o gosto da lúxuria.

Grifes, noites e talvez champagne.
Futílidades que entopem sua veias e corrompem sua honestidade, tomam por sí suas delicadezas e sua justiça. Vão compenetrando atravéz de seus regalos e você já está amaldiçoado.
Agora é tarde, está completamente selado. Você é um Sodomita!

A confusão é inevitavel e a manipulação de tantas mídias talvez te transforme em um boneco, porque seria diferente com - Alícia, garota complexa inserida num contexto vazio. Foi meu primeiro personae, desenvolvido com muita simplicidade, tomando de referência os lixos que compram "Channel" porái. Narrativa curtíssima, elogiada por Octávio Cariello, diretamente para nós. Apreciem!

Noite de ?/?/2004

- Os olhos estão borrados e suas pernas sujas, com os sapatos na mão ela corria sem sentido algum. Caminhando para um destino impróprio, tal qual como ela. Completamente imprópria.
Subiu as escadas ecoando, rindo de sua loucura bêbada. Abriu a porta do apartamento 1200, jogou os sapatos de um lado a sua bolsa para o oposto. Olhou a geladeira à procura de algo que não estava lá, sua sanidade.

- Mais profundamente percebeu Isaac estirado na cama, ele era fraco para bebidas. Viu suas roupas impecavelmente ajeitadas, sob a cômoda e instintivamente pensou: - "A bichinha estava aqui, ele o trouxe!". Ainda tonta, entrou no chuveiro, água fria. Limpou sua vulva e sua virilha, meladas com sêmen e gel lubrificante.

- Estava confusa, ela tinha a todos, menos a Isaac. Ele transava com ela, eles se atracavam mas, ele não olhava para seus olhos, ele nem a notava. O olhar era vago. Alícia não parecia ligar, seu corpo era de todos, já que ela não sábia o que era ter alma. Não é capaz de amar, ambos não são. Alícia acreditava que Isaac amava alguém, mas seu orgulho, nunca o deixaria confessar. Que infundado, suspeita tola, afinal ele era um idiota!

- Seu celular tocou, e após o atender, percebeu as conseqüências de dançar nua em plena Augusta. Uns punks queriam seu pescoço. Isso foi excitante para ela. E o que não era? A bonequinha dos cirurgiões. Não quer pensar em nada, só na vida medíocre que levava. Alícia.

quinta-feira, novembro 1

Tomo Dois

Os traumas, continuam nos empalando.

Chupando nóssas tripas e mastigando nósso figado.
Lambendo sua capacidade de sentir ânsia só por que estou usando termos escárnicos para dizer:
Você vái morrer imbecíl!
Vái retornar pro seu buraco, vái fecundar até sumir, mas antes vái feder e apodrecer.

Tomo dois das confissões relatadas no díario de Rótis. Mastiguem bem antes de engolir.

22/08/2004

- Não consigo dormir, está tudo tão quieto. Mas não é o silêncio que me incomoda, é a minha mente, ela me faz revirar os lençóis.

23/08/2004

- Odeio o modo sínico que ele me trata, ele é tão vulgar e irritante. Foram sete horas de tortura, esquentando as malditas seringas e se drogando, enfiando toda aquela merda pra dentro deles. Alícia está trazendo isso ao montes, nem uma prostituta se comporta como ela e suas "virilhas à mostra".

?/?/2004

- Ele está bem ao meu lado, dormindo porque o álcool já afetou sua capacidade física. O trouxe até seu apartamento e já vou embora, não quero ficar aqui, quando alguma das suas garotas ou a nojenta da Alícia chegar. Absolut Vodka, porre de uns dois litros e pouco.

- Aqui, eu sob a Guérnica. Em minha cama, me sinto mais seguro para escrever. Não que faça diferença mas, estar fora dos meus domínios ainda, que esteja protegido, me intimida.
Está tudo pior, meus pais não existem mais, eles se esconderam dentro de seus medos. Eu não consigo me alimentar direito, sempre vomito tudo. As horas estão sendo as únicas que ouço além de minhas perversidades.

07/09/2004

- Eis aqui minha vontade, ela foi abatida. Eles estão "namorando”

10/09/2004

- Eu não consigo achar o maldito maço de cigarros, irei entrega-lo hoje ao Isaac, ele me chamou para ir lá mas antes iremos passar numa boate.
Hoje acabo com isso, entrego os cigarros e inicio meu intercâmbio em Londres. Eu não sei fumar, mas quero sentir o gosto desse cigarro, quero me lembrar. Já perdi a vontade de viver, desde que descobri que sou um deturpado. É uma doença, hoje isso termina. Eu juro dar fim nisso.

quarta-feira, outubro 31

Rendas

As mágoas. Élas podem ser três lados de uma consequência infálivel. Ambos, levam ao mesmo precipício: a dor - basta remaneja-lo a sua maneira. Frustre-se, revolte-se ou ignore.

Imagine o peso de encarar tantas délas, inumeras, mas do que você suporta. Não sáiria ileso. Imagine sua vida sem o ventre de sua mãe, sem compreensão ou calidez. Imagine-se de fato acordado sem seus sonhos banais e ilusões. Seus ólhos estão abertos, e não se fecharam. Não.

Dos sonhos arrancados de uma criança, Ice-Box ou a falecida Manoelíta. Forte passagem biográfica de Manoela, narrativa curta, mas tive que me aprofundar no sentimento que quis passar, a tinha em mente desde o ínicio do curso e a concluí sem as observações do "mestre". Confesso que me emocionei no processo, a dor da personae é muito palpável. Mais uma vez quebrando o ritmo. Apreciem.

- O silêncio era ímpar, dominava cada parte do pequenino quarto. As bonequinhas sobre a cômoda e os dedinhos enrolados na colcha verde-cidreira. O olhar estava morto, Manoelíta estagnava-se dentro de seu próprio peito. Enconlia-se na cama velha, tentando esquecer e também, ser esquecida. A manhã cinza começou a caminhar e cortando aquele silêncio todo, um cantar intenso. Ela ouvia vozes e alguns gritos, eram evocações bem estranhas que a amedrontava muito.

- A porta, forazmente aberta, deixou-se penetrar pela velha Ba. Rasgando o ar, balbuciou: Acorde!
Não agia normalmente, em um surto, pegou a pobre criança pelos cabelos insultando-a. A dor era grande, no íntimo a criança, ouvia a voz de sua mãe. Assim passavam-se muitos dias, agressões e insultos. Um após o outro. Rituais estranhos e medo. Somente medo.

- A vida se perdia dentro dela, a amargura tornou-se sua refeição. Ela, já temia aquela expressão, aquela palavra a assombrava, pois era o calgo para toda a dor. "Acorde! Acorde!”.

- Minha menina, morreu, sofrendo bem aos poucos. Doloridamente a cada dia, sem sua mãe. Sem Afeto, sem amor. Ainda que dure, fora devorada por um demônio chamado Ice-Box.

Tenha bons sonhos, querida, sempre estarei contigo.

terça-feira, outubro 30

Anti-Cristo

E, se ainda com estas cousas não me ouvirdes, então prosseguirei a castigar-vos, sete vezes mais, conforme vossos pecados.
Levítico - 26:18

- O pequeno barraco estava caótico novamente, eles estavam jogados aos montes, completamente bêbados e sujos. Era o antro de Manoela. Mas era, ainda, o solo sagrado dos orixás e de sua avó Sebastiana.

- Os gemidos eram intensos, ela olhava para o quarto e ele estava enojante. Tragou com gosto o bolado de maconha e segurou com força o abdômen do careca, ordenando mais força, a cada "cavalgar". Notava-se também um dócil olhar, vindo de uma imagem estática, grande e sólida. Era a Virgem Santíssima sorrindo para as leviandades que eram feitas ali.

- Nina indagava-se quem eram aqueles nas fotografias por todos os lados, enquanto toda a Facção Punk procurava perder a letargia e cair fora. Tinham muitos "trabalhos" para mãe Ba realizar e eles tinham que sumir. Manoela, ainda nua, levantou-se do coito e caminhou até a sala, expulsando-os de lá.

- É desprezível, mas Ice-Box estava vestindo-se, para espancar mais uma de suas vítimas. Preparou seu soco-inglês sabendo que marcará o rosto da bela "patricinha". Ela podia ouvir o choro e os pedidos de misericórdia. E podia ver a cor das notas dentro da bolsa Gucci que ela também furtará. O sangue limpará sua consciência.

- Ice-Box costuma lembrar do nome de suas vítimas, e dessa vez, estava confusa, o nome estava nébulo. Rapidamente saciou seu deslize, quando Nina disse ansiosa: Vamos arrancar o útero da putinha, Alícia vai gritar hoje.

- Não o contentamento, mas mais poder; não a paz a qualquer custo, mas a guerra; não a virtude, mas a eficiência. Os fracos e os malogrados devem perecer: primeiro príncipio deve-se ajuda-los nisso -

Friedrich Wilhelm Nietzsche - O Anticristo.

segunda-feira, outubro 29

Fragmentos Secretos

Não olhe com éssa cara de desespero, seus pecados tem que ser omitidos.

Ainda está me olhando assim?
Este que vos fala mostrará-lhes algumas confissões de um complexado garoto - Rótis meu personagem mais intrigante, escrito só após minha formação mostra mais maturidade, porém, ainda sim fragmentos muito curtos. Contexto de um projeto muito detalhado que desenvolvi ao longo do meu curso. Degustem com parcimônia.

03/07/2004

- A cera da vela manchou todos os meus envelopes. Não sei mais como me livrar deste demônio, não entendo. Me sufoca, me oprime. Não quero ser vítima de meu próprio cárcere. Isaac me contou sobre seu desejo por aquela garota, aquela que só usa meias esquisitas e passa batom vermelho puta.

12/07/2004

- ..."Eles transaram e como se não bastasse o fizeram na minha frente, acreditaram que, poderiam despertar algum voyeurismo em mim, mas tenho nojo de cada palavras que eles dizem. Alícia geme como uma porca grunhenta e Isaac olha para mim com um olhar meio pulsante. É promiscuo, é libertino. Mas não consegui evitar me masturbar mais de dezenove vezes desde o ocorrido. Eu sou nojento, preciso me curar"...

05/08/2004

- Não posso viver mais, não agüento esta pressão, preciso respirar. Tomei duas caixas de Benflogin tentando morrer, mas consegui apenas sofrer mais. Machuquei meu pênis, o cortei com meu atame e mal posso urinar. Pretendo parar de sentir esses desejos, isso é demoníaco, está se tornando bizarro. Preciso de recato.
Comprei mês passado um maço de cigarros enquanto estava em Londres para dar a ele, mas ainda está guardado
Chama-se Danhill, não é assim que se escreve, é Dunhill.

domingo, outubro 28

E então...

A veracidade de muitos fatos, anda se confundido com nossa capacidade de transliterar!

Se ofuscar dentro de sua condição social ou de sua capacidade de se dar bem sempre, não te faz, definitivamente, alguém menos culpado. Mesmo que esta culpa, seja para você, aceita como sua verdade, seu dogma.
Lidar com tais habilidades pode ser precario, você simplesmente pode ligar o foda-se e automatizar ou então aprende a surtar de maneira requintada, para não ir se culpar dentro de um manícomio!

Assim de maneira fria, apresento-lhes - Isaac, um joven que consegue equilibrar seu medo, com o que de fato "irão pensar" dele!
Desenvolvido logo no ínicio do meu curso de Roteiro (Quanta Academia de Artes) sob os olhos e críticas atentas de Octávio Cariello.

Cabañas

- Isaac meio letárgico, desperta... Ainda cedo, lembra-se por um instante do gosto da vodka, que beberia ao se levantar. Ele sente algo molhando seus pés e deitado inclina-se para ver o que é.

- Ele grita, ofegante ao ver Rótis com um furo atravessando da boca até a nuca. Na mão ainda dentro da boca, a Colt 38. O sangue, algumas partes viscosas espalhadas pela cama. Isaac treme ao tocar o cadáver e se pergunta qual a razão de ter o feito.

- Lembra-se imediatamente de seu poderoso pai, aquele velho cubano ranzinza, que deu absolutamente tudo que ele sempre almejou. Lembra-se também dos meios obscuros que o velho Hernandez utilizou para se tornar o maior fabricante de armas e munições ilegais de Cuba. Ele pode resolver tudo, foi um mal entendido e Isaac depende dessa afirmação.

- Isaac ofegante, procura o telefone de seu pai, ele deve estar no escritório, são cinco da manhã e ele sofre de insônia. Ao falar com seu pai, Isaac explica brevemente o ocorrido, friamente ouve que deve permanecer em seu apartamento e manter tudo em silêncio, logo chegaria alguma "ajuda".

- Procura seu Lucky Strike mas não encontra, ele então pega nas calças de Rótis um maço de Dunhill. Dunhill? Onde é que ele encontrou este cigarro na cidade?
O gosto é o mesmo dos lábios do garoto.

- Ele sente medo e permanece estático em frente à porta de saída de seu apartamento.

- As seis e pouco, tocam a campainha. Orientado, ele entra em um Corvette 1989 na garagem de seu prédio, enquanto aqueles “caras” iam esconder uma morte que nem a ele pertencia. Isaac levava consigo o maço de Dunhill e antes que pudece reconhecer o caminho, sentiu-se completamente só.

- Ele chega no ninho de ratos ou escritório, como seu pai chama aquele lugar fétido. Entrando em uma saleta úmida sente o aroma do charuto de seu pai, aqueles charutos cubanos o fazia lembrar de sua infância incinerada por aquele cheiro. O velho indagou como ele poderia deixar aquilo ter ocorrido. Mas Hernandez estava mais perturbado com o fato de ter um garoto de cuecas no quarto de seu filho, do que este, estar morto.

- Passa-se algumas horas dentro da saleta, Isaac já sabe o que fazer, mais calmamente, o velho diz a ele que volte para seu apartamento depois das nove da manha e que tudo estaria resolvido. Isaac estava transtornado, e não pensava em mais nada além daquele medo todo e na fumaça do Cabaña que seu pai não parava de tragar.

- Caminhando entre becos, ele lembra-se repentinamente, de que alguém mais sabia que Rótis estava com ele. Era Alícia, ela tinha o procurado, horas antes e o visto com Rótis.

- Apressadamente ele caminha até a casa de Alícia, e assim atrás dela ele passa algum tempo. Já exausto e muito inquieto, viu que passava das dez e ele não iria encontra-la.

- Talvez ele tivesse ignorado o fato dela estar totalmente machucada quando o procurou. E que havia a tratado com tamanha desdenha e ignorância.

- Retornou ocioso até seu apartamento. Abrindo a porta lentamente, entrou e sentou em sua poltrona, percebeu que os caras haviam sumido com todo o sangue e com o corpo de Rótis também. Não se sentia bem, era como se Rótis ainda estivesse dormindo no quarto e que a qualquer segundo levantaria atrasado e iria embora.

- Ascendeu mais um cigarro, quando o telefone tocou. Hernandez justificou, que tudo estava resolvido. Isaac revelou que Alícia tinha o visto com o garoto. - Nada com o que se preocupar! - Hernandez afirmou. Ainda sim tinha tudo sobre controle.

- Logo após desligar o telefone, Isaac, recebe outra ligação, um oficial de justiça o intimando a depor nessa mesma tarde. Isaac perde a voz, gagueja e por um instante imagina ter sido incriminado. Quando pergunta por que motivo deveria depor. O oficial revela o nome de Alícia. - Mas como ela poderia saber? - quando o oficial revela a ele que, a garota havia suicidado-se nessa madrugada e a policia interrogaria a todos que a viram naquela noite.

- Isaac desliga o telefone, e olha pela janela, ele vê a rua e sorri. Um sorriso nervoso. Porém, aliviado de ter descoberto que Alícia também era tão tola quanto Rótis. Isaac termina o maço de Dunhill, segurando suas reações. Quem acordaria afinal?

sábado, outubro 27

Abrindo os portões.

Dos eficazes

  • “Eu sugiro a todos os meus amigos que eles parem de ver as notícias, porque as notícias tramam para te amedrontar, para te fazer sentir pequeno e solitário...
  • Recentemente o Governo Federal lançou a campanha “Vai ter Copa” nas redes sociais. Governo e seus apoiadores imediatamente começaram a produzir artig...
  • Aquele cansaço incomum resolveu,enfim, abandonar o meu corpo. Desde a minha primeira caminhada, senti uma certa renovação. Mas será mesmo que estou curad...
  • Medo de amar? Parece absurdo, com tantos outros medos que temos que enfrentar: medo da violência, medo da inadimplência, e a não menos temida solidão, que...
  • Existe uma terra perdida, no meio do nada, chamada por muitos de Deserto Maldito. Chamam-no assim porque, apesar de lá existir várias árvores e um grande l...
  • Quem nunca teve?! E os temas são os mais diversos, dependendo do gosto (trauma) do cidadão... Os termos é muito legado à BDSM (Bondage, Dominação, Sado & M...
  • O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz a gente se sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma p...