terça-feira, novembro 6

Vazio

Exatamente isso, um corpo.
Ceptisismo.
Nunca esqueça sua verdade.

3:14

- Desde a infância queria chamar atenção. É deslumbrante sim, praticamente perfeita. Praticamente? Esteticamente direi. Ninguém é mais culpado que si mesma, Alícia jogou no vaso sanitário seus sonhos, ela estava a tanto tempo procurando esse maldito hedonismo. E quando achou, o enfiou vagina à dentro. Tenho para mim, que toda essa ninfomania, é fruto de sua frustração. Engraçado, ser mãe era algo utópico para Alícia, porém, era tão obscuro para seus "padrõezinhos". Tinha porte de Audrey, lábios de Vincent Longo. Quando tocou os olhos ao espelho berrou. Mas não berrou apenas sua aparência, berrou a dor de um mortal, a dor de ter sentimentos. De sofrer ao descobrir que amava, mesmo tão fria, tão esquálida.
Foram horas de lágrimas, remédios. Seguiu-se de silêncio e olhar atento dos ponteiros sob ela. Pensou em queimar tudo, queimar sua pele. Não poderia amar Isaac, e mesmo, não poderia perde-lo. Não para outro.

Olhou para o espelho, insultando sua sanidade e se cortou com a navalha. Queria ver mais sangue, queria mais. Idiota, esqueceu de atentar-se. Cortou o pulso. Alícia você está bem?

Seu último ato. Selando com um beijo intenso na face espelhada.
Será que sua carcaça vale mais que algum vison?
Vasos orientais, virginalmente únicos. Pele humana vale muito no mercado negro.

domingo, novembro 4

Tomo Único

Certa vez, imaginamos quanta vítalidade temos e quanto podemos resistir a tudo.
Porque nos iludímos com falsas esperanças, dizendo: tudo vai passar. Mas não vai passar e sabemos, somos seres melâncólicos, vivemos e construimos nossas vidas em cima de realizações, seja elas qual forem, ainda, que só as queira para obter felicidade, será por um breve momento. Quanto tocardes o topo, voltará para a melâncolia. Não faz sentido, continue e morra antes de alcançar, antes à frustração que o vazio e perder seu sentido de existência!
Você realmente existe?
Último relato dos "Fragmentos Secretos" de Rótis. Confessional e esclarecedor. Criado mês passado, após longas obervações em exercícios anteriores de curso. Não irei saudar esta leitura, realmente por não caber uma saudação neste contexto!

"E então as nuvens se abrirão para mim,
e vou encontrar meu Jesus Cristo.
E verei a história antes de mim.
Para o prazer e a paixão,
você sacrifica a tristeza.
Assim, tudo pode.
Como os rancores do chifre de Mefistófeles,
que vieram para minha alma."
Then The Clouds Will Open For Me - Placebo

10/09/2004

- Sinto a maiór de todas as dores. Remorso imperdoável.
Eu disse que acabaria com tudo e ainda não o fiz. Fomos à boate, estavam lá muitos conhecidos de Isaac, eles se animaram e a "sessão seringas" começou antes do normal. Estava cansado, minhas pernas doíam muito, disse a Isaac que iria embora e saí em meio a tantas companhias. Sentia-me só, completamente isolado dentro de minha gaiola de privações. Gaiola que eu criei, não bebo, não fumo e ainda nem suporto olhar aquelas seringas. Precisei de uns segundos longe daquele social todo. Encostei em algum lugar meio escuro, três garotas bêbadas riam e falavam algo de como matar seus pais, não importa. Tive exatos três minutos, meus, totalmente só com minha mente confusa.
Quando perto do final disso, minha mente se rejubilava em Placebo, Isaac chegou. Acompanhado de tantas palavras, a sua volta giravam muitas conversas, mesmo ele vindo só. Eu sempre o enxerguei assim, vivaz, tirava disso conforto e porque não inveja. Afinal, vivaz é tudo que não me define. Senti seus olhos pesados em cima dos meus, um peso admiravelmente estranho. Indaguei o que havia acontecido e ele me pegou pela mão e disse: - "Vamos cair fora, a Líli daqui a pouco está ai!".
Quem disse a ele, que eu queria evita-la, eu queria poder mostrar a ela o quão a desprezava. Mas sou inerte e ele me levou sem se quer um ruído de objeção de minha parte. Repetiu várias vezes ao longo do caminho, que me considerava muito. Estava com medo, Isaac não foi capaz de desejar felicidades a seu pai, quando ele se casou de novo. E seu único comentário foi: - "A filha dela é uma delícia!" referindo-se a Aiko, filha de sua então, madrasta.
Subi aquelas escadas cinzas pela segunda vez, e isso, me intimidava muito. Meu alívio era não tê-lo escorado em mim, para subi-las, como na primeira vez. Entrei e pensei logo na cara que Alícia faria se me visse ali. Ele indagou sobre ter a deixado lá, dizendo sobre seu porre do dia anterior mas ele falava com desprezo. Após muitas porcarias ditas, decidimos fazer aqueles jogos de falar a verdade. Não gosto disso, isso me irrita e além de que não iria realmente dizer a verdade. Ele estava confiante, me fez perguntar sobre tudo e tudo parecia razoável, logo eu iria dar o maço de cigarros e definitivamente sumir de sua vida. Antes que eu tomasse coragem para cumprir meu objetivo, ele falou algo realmente perturbador. Perguntou: - "Então, sabe como é, verdades devem ser ditas, e como você é delicado... Ó só, você já teve relações homossexuais?".

Tive uma série de reações, e não podendo mais fugir daquele questionamento, me surgiu fugir daquele local e dele, para sempre. Levantei com aspereza, e saí pela porta com muita indiferença, por dentro meu coração quebrava-se de dor e as lágrimas vinham nos olhos, mas segurei firme, como nunca havia feito. Era o momento de quebrar as correntes e enfim. Ele, pela primeira vez, pensou com medo no que tinha acabado de fazer. Saí do hall, e comecei a passos fortes me distanciar de lá. Mas me surpreendi, com um grito de desespero de Isaac: - “Não Rótis, por favor meu, me ouve um minuto!”.
Estava quase adivinhando o que ele ia dizer, mas me permiti o esperar e ver o que ele diria. Ele me olhou e o fez com muita pureza e foi quando comecei a perder a capacidade de raciocínio. Impossível, ele não...
- "Rótis, me perdoa? Nunca quis te machucar, e sei que é só o que tenho feito”.
Anestesiei-me e nada disse, abaixei minha cabeça e minhas lágrimas escorreram finalmente. Ele se aproximou e me abraçou, com muita força. Olhou em profundo meus olhos e aproximou seu nariz gelado na minha bochecha. Fechei os meus e precedi o que viria a seguir. Sem resistir, nos beijamos com muita tenacidade, contei cada segundo. Mas um grito maldito, cortou o ar. Ela novamente em meu caminho, Alícia estava totalmente machucada e suja, senti pena dela. Logo vi Isaac e ela aos gritos, eu tapei meus ouvidos, não queria sofrer com aqueles insultos, entre eles muitos ditos a mim. Ele a expulsou, e me tomou pela mão me levando para o prédio, eu olhei para trás e a vi, desmantelada e caída em choro. Não a queria desse jeito, nem se quer a odiava, eu acho, sei que a culpa nessa hora estava praticamente me sufocando já.
Ao subir, o que eu temia, transamos. Dizem que quanto mais perto da sabedoria nossa alma estiver, nosso corpo estará a profanidade. Não posso suportar isso. Ali assinei meu testamento. Não há mais escolha. Antes que nada possa ser escrito, registrei como último hábito o momento em que me libertei da gaiola e de que morri por não saber voar.
A colt 38 está carregada, me perdoe Isaac. Perdoe-me...

Guardando o diário abaixo do colchão e fitando a última vez Isaac em sono profundo.
À bala sai do revólver, girando seu tambor as exatas 3:14 da madrugada, em 11 de setembro de 2004.

sábado, novembro 3

Acto - Ultramontanismo

Silhueta breve de longos acontecimentos, a introdução está em sua percepção.
Narrativa paraléla, alimentem-se e devorem tudo.

Acto - Suas viceras estavam pulsando, quentes como seu temperamento. Não era efeito do ácido nem da farinha. Ice-Box queria ladrar e morder como um Bull Terrier, espumava de êxtase. Nina estava lá, lambendo os gostos do rei-demônio Ice-Box, procurando das migalhas dela um pouco de evidência. A Europa estava à tona e brilhando: soco-inglês e canivete-suiço. Preferia armas brancas, gostava do arranhar da carne, gostava de causar dor.

Ultramontanismo - Ainda letárgica, Alícia, levantava-se, sentia a sensação de dormência nas pernas e sua cabeça doía intensamente. - "Apaguei!" imaginou ela. Olhou, o quarto caótico, cuecas e meias. Era o quarto de Isaac. Levantou-se e o procurou, não havia ninguém, olhou para o relógio e passava das 19:00 horas. Vestiu-se e maquiou-se muito forte, trancou a porta e desceu gritando com seu scarpin nas escadarias.

20:00

Acto - Sentiu medo, leve excitação. Ouvindo o pulsar do coração de sua vítima.

Ultramontanismo - As lágrimas corriam de seus olhos, fora tomada por ódio, sentia-se traída. Não compreendia, mas no fundo sacou que tinha perdido Isaac. Definitivamente ele se foi.

21:30

Acto - Seus olhos estavam rubros - "Não grita sua vadia, cala essa boca podre!". Assim sucedeu-se uma remessa de socos e pontapés. A pele estava roxa e fina, o sangue já estava aparente em todo o rosto de Alícia. Ice-box gritava com voracidade, estava arrancando sua redenção, estava salva. Observando seu perdão. Tocando ele, fazendo amor com sua própria convicção, seus ideais. Manoelíta.
Acorde! Acorde!

Ultramontanismo - Estava toda dilacerada, mal conseguia falar, sentiu tontura e por um segundo o tempo parou. Lembrou-se de sua infância e toda sua vida medíocre. Não suportava mais, não tinha uma alma dentro de si, Alícia, um pobre manequim. Sua reação era silenciosa, olhava o rosto de Ice-Box e imaginou que, seria um dos cavaleiros do Apocalipse a puni-la. Iniciando mais tapas, dentro de algum lugar, Alícia se observava. Sentindo remorso soube que não se amava, nunca se quer se amou. Percebeu sua farsa, suas mentiras aptas a alivia-la. Tocando seu seio, já ensangüentado pensou em seu sonho secreto: ser mãe. - "Não há nada, eu sou uma vagabunda, me vendi e vendi meus sonhos. Onde estará meu filho, ele nunca sairá de meu útero escroto, Deus nunca me conceberá perdão, eu mereço a morte”.

Acto - Levantou-se e correu, olhou para trás e despediu-se dos olhos da putinha. Estava feito, era preciso de silêncio.

Ultramontanismo - Ao acordar, olhou o sangue e gemeu sua enorme dor. - "Preciso ver Isaac”...

"Não há necessidade de você dizer que viu a vida que eles escolheram para mim"
Jesse - Ivri Lader.

sexta-feira, novembro 2

Boutique

Delicioso, posso sentir o gosto da lúxuria.

Grifes, noites e talvez champagne.
Futílidades que entopem sua veias e corrompem sua honestidade, tomam por sí suas delicadezas e sua justiça. Vão compenetrando atravéz de seus regalos e você já está amaldiçoado.
Agora é tarde, está completamente selado. Você é um Sodomita!

A confusão é inevitavel e a manipulação de tantas mídias talvez te transforme em um boneco, porque seria diferente com - Alícia, garota complexa inserida num contexto vazio. Foi meu primeiro personae, desenvolvido com muita simplicidade, tomando de referência os lixos que compram "Channel" porái. Narrativa curtíssima, elogiada por Octávio Cariello, diretamente para nós. Apreciem!

Noite de ?/?/2004

- Os olhos estão borrados e suas pernas sujas, com os sapatos na mão ela corria sem sentido algum. Caminhando para um destino impróprio, tal qual como ela. Completamente imprópria.
Subiu as escadas ecoando, rindo de sua loucura bêbada. Abriu a porta do apartamento 1200, jogou os sapatos de um lado a sua bolsa para o oposto. Olhou a geladeira à procura de algo que não estava lá, sua sanidade.

- Mais profundamente percebeu Isaac estirado na cama, ele era fraco para bebidas. Viu suas roupas impecavelmente ajeitadas, sob a cômoda e instintivamente pensou: - "A bichinha estava aqui, ele o trouxe!". Ainda tonta, entrou no chuveiro, água fria. Limpou sua vulva e sua virilha, meladas com sêmen e gel lubrificante.

- Estava confusa, ela tinha a todos, menos a Isaac. Ele transava com ela, eles se atracavam mas, ele não olhava para seus olhos, ele nem a notava. O olhar era vago. Alícia não parecia ligar, seu corpo era de todos, já que ela não sábia o que era ter alma. Não é capaz de amar, ambos não são. Alícia acreditava que Isaac amava alguém, mas seu orgulho, nunca o deixaria confessar. Que infundado, suspeita tola, afinal ele era um idiota!

- Seu celular tocou, e após o atender, percebeu as conseqüências de dançar nua em plena Augusta. Uns punks queriam seu pescoço. Isso foi excitante para ela. E o que não era? A bonequinha dos cirurgiões. Não quer pensar em nada, só na vida medíocre que levava. Alícia.

quinta-feira, novembro 1

Tomo Dois

Os traumas, continuam nos empalando.

Chupando nóssas tripas e mastigando nósso figado.
Lambendo sua capacidade de sentir ânsia só por que estou usando termos escárnicos para dizer:
Você vái morrer imbecíl!
Vái retornar pro seu buraco, vái fecundar até sumir, mas antes vái feder e apodrecer.

Tomo dois das confissões relatadas no díario de Rótis. Mastiguem bem antes de engolir.

22/08/2004

- Não consigo dormir, está tudo tão quieto. Mas não é o silêncio que me incomoda, é a minha mente, ela me faz revirar os lençóis.

23/08/2004

- Odeio o modo sínico que ele me trata, ele é tão vulgar e irritante. Foram sete horas de tortura, esquentando as malditas seringas e se drogando, enfiando toda aquela merda pra dentro deles. Alícia está trazendo isso ao montes, nem uma prostituta se comporta como ela e suas "virilhas à mostra".

?/?/2004

- Ele está bem ao meu lado, dormindo porque o álcool já afetou sua capacidade física. O trouxe até seu apartamento e já vou embora, não quero ficar aqui, quando alguma das suas garotas ou a nojenta da Alícia chegar. Absolut Vodka, porre de uns dois litros e pouco.

- Aqui, eu sob a Guérnica. Em minha cama, me sinto mais seguro para escrever. Não que faça diferença mas, estar fora dos meus domínios ainda, que esteja protegido, me intimida.
Está tudo pior, meus pais não existem mais, eles se esconderam dentro de seus medos. Eu não consigo me alimentar direito, sempre vomito tudo. As horas estão sendo as únicas que ouço além de minhas perversidades.

07/09/2004

- Eis aqui minha vontade, ela foi abatida. Eles estão "namorando”

10/09/2004

- Eu não consigo achar o maldito maço de cigarros, irei entrega-lo hoje ao Isaac, ele me chamou para ir lá mas antes iremos passar numa boate.
Hoje acabo com isso, entrego os cigarros e inicio meu intercâmbio em Londres. Eu não sei fumar, mas quero sentir o gosto desse cigarro, quero me lembrar. Já perdi a vontade de viver, desde que descobri que sou um deturpado. É uma doença, hoje isso termina. Eu juro dar fim nisso.

Dos eficazes

  • Lugar lúgrubre, lápides ludrosasSorrisos ao redor são raridadeSequer supomos que nas covas silenciosasHá tantos crânios a sorrir pra eternidade
  • Recentemente o Governo Federal lançou a campanha “Vai ter Copa” nas redes sociais. Governo e seus apoiadores imediatamente começaram a produzir artig...
  • Aquele cansaço incomum resolveu,enfim, abandonar o meu corpo. Desde a minha primeira caminhada, senti uma certa renovação. Mas será mesmo que estou curad...
  • Medo de amar? Parece absurdo, com tantos outros medos que temos que enfrentar: medo da violência, medo da inadimplência, e a não menos temida solidão, que...
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  • O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz a gente se sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma p...