sábado, julho 11

Fim das contas.

Me perguntaram tantas vezes, que eu tinha que dizer.
Não bastava dizer, eu tinha que publicar, gritar, sair correndo com uma placa no pescoço, uma faca na mão e um corte no braço ameaçando um suicídio. Confessar tudo que estava intalado.
Subir e descer quinhentas vezes no elevador, só pra provar que meu medo era falta de costume. Hoje eu desço e subo sem notar que não sinto mais medo, ainda com ele engasgado na garganta, mas sem senti-lo. Sempre minto, ainda digo que tenho medo, mas eu sei que não tenho mais. To dentro das minhas letras, das frases repetidas, da poesia coesa, das vírgulas inapropriadas, da falta de sentido. O bisturi no lugar das teclas. De repente o branco não é mais um adjetivo das minhas crônicas sobre mim mesmo. A pausa no tempo já não é mais o meu amor, a minha atriz principal, meu número predileto. É o meu nariz entupido de manhã, torcendo pra não ser H1N1, não por medo de morrer, por simples falta de tempo. Sem tempo pra ficar doente e morrer, como se morrer tivesse nos planos secundários, tenho que me formar antes, depois residência. Depois ala cirúrgica e então paramos. Na mesa de operação? Não, na frente dela cortando a cabeça de alguém que tem mais tempo do que eu pra morrer. Só que eu não vou poder deixa-lo morrer, então, eu acabo tirando o direito dele ter tempo pra morrer. Isso porque no fundo tenho ciumes dessa oportunidade que eu não tive. Ele é um cineasta rico. Assistiu tudo que podia ser considerado belo e teve tanto talento que criticou tudo e levou consigo todo mundo, todos deixaram de achar belo porque ele quis assim. A cabeça dele aberta nas minhas mãos. E o filho dele também, eu farei o parto do herdeiro do cara que eu não me tornei.
Ninguém me pediu isso, não fui covarde - pra onde as pessoas queriam que eu fosse?
Não abandonei meus sonhos, só me cansei de ver todos viverem eles por mim. Não to falando do sonho de cada um, sim, dos intrusos que se enfiaram nos meus. Troco os signos pelas vidas.

E o tempo se encarrega do resto.

sábado, fevereiro 28

Trilha: Em vida, tudo procura música.

Existe uma vitrola colossal - sim ela é grande - que paira escondida nas nuvens pronta para acionar a canção, aquela canção, rs.

Sugestões galantes:

Café, chuva e Dostoiévski: Into The Fire - Thirteen Senses
Álbum: The Invitation - 2005

Dando a Loca: Wuthering Heights - Kate Bush
Álbum: The Kick Inside - 2006

Despedidas shakesperianas: Scarborough Fair - Hayley Westenra
Álbum: Celtic Woman - A New Journey - 2007

Fossa: Chasing Cars - Snow Patrol
Álbum: Eyes Open - 2006

Luto pelo Michael: Moonlight Sonata - Ludwig van Beethoven
Álbum: Moonlight, Pathtique & Appassionata Sonatas - 1990

Ressaca de vodka: Evil - Interpol
Álbum: Antics - 2004

Pós cirurgia mal sucedida: Breath - Anna Nalick
Álbum: Wreck of the Day - 2006

Easy!


quarta-feira, fevereiro 4

Rubro, as vezes.

Atenua-se sempre. Como se os lábios não fossem suficientemente corados, ganham mais. As unhas incompletas sem suas máscaras. Rosáceas aréolas, redondas e tenras - são mordidas, apalpadas sem prestar a maternidade que carregam. O mantra de aquecer, pede dedicação, vezes humilhação por queimar.
A realidade foi retirada antes mesmo de perceberem que chamas, são só chamas.


Isto é, porque atribuir tantos significados que variam de fé cristã à costumes pagãos, se no entanto, uma vez que as três partes compositoras, oxigênio, combustível e calor só trazem o caos. Consumir e nada mais, um apetite sem fim. Antecedendo o ato que não virá - as virtudes mortas.

terça-feira, fevereiro 3

Quadrados oceânicos

O que é absoluto em si, contrito semitransparente, expressando quase sempre a falta de.
Comprei direitos sobre minha própria pele, muito breve - vai ser interessante. As ilustrações são ramificadas, significativas e presas.



Todas levariam aquela tonalidade movimentada, aquela que aprecio. Escolhi nos catálogos umas trinta e duas belas figuras que poderiam tornar-me uma tela viva - arte sentimental. Poderia ter desenvolvido uma anomalia rara, sendo azul índigo e muito onírico.

sábado, janeiro 31

Círculos cor de terra.

Só quero alguma estampa na geladeira, é para ficar mais viva. Este padrão de branco me irrita um tanto.
A profundidade do branco é pura, um grande silêncio meditativo - irritante para quem gosta de muvuca - fechado para qualquer outra conclusão.



Eu poderia compreender que o branco faz menção ao estático e ao frio, obviamente. Mas um dots traria um ar retrô, com sofisticação e vanguarda.
Estou hesitante pela tarefa em si, só queria desejar e pronto - Dots Freezer!
O instantâneo é uma ideia convidativa, não só para
design quanto para situações embaraçosas.
Meu conceito atrasado veio pela manhã, e com ele, dividi minha filantropia - com ele e com outros mais.

Dos eficazes

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