domingo, novembro 23

Toros muertos.

Morremos, vezes a nós, vezes à desconhecidos que casualmente dividem um lugar conosco no metrô. O sentido não deveria ser fonte não. Quer-se toda a vida que tem, quer-se consumir os sopros de centelha, chamas de vela.
Símbolos, números, círculos, estrelas - meios de possessão, para você marcar sua vontade em algum lugar do espaço. Não me recordo de nada mais doce que o vento sorrateiro que te surpreende. Os toros que são mortos, por motivos ineptos. Você que é morto por estatísticas. Eu que sou morto por dizer o que eu quero dizer. O que nasci para dizer. Esquecimento de intuição, de trabalho, de atenção. Perda.
Quer dizer que não diz, só um móvel no canto do antiquário - foi vivo e moldou-se, para um estado, triste.

Art - Death and Life - Gustav Klimt

sexta-feira, novembro 21

Escarlate são

Os mais belos romances, sempre terminam antes que se perceba. Os desejos de agora, do imediato, sufocam qualquer sutileza, sim, sufoca mesmo.
Doce, profundos e duradouros - parece tão empático que imaginar, é como insultar o próprio bom senso.
Pense nos solos áridos do México, em sua escaldante temperatura, os tons alaranjados que nos embriagam de abandono. Não é melhor que isso, nem um pouco, o que pensamos ser amor.
Eu gosto de falar com todos, porque falo comigo mesmo. Enquanto escrevo, me torturo por não me ouvir. Não é uma regra, só um traço ignorante.
Este verão, este sol, esta seca. É aqui que vivemos quando desejamos. Transpiro muito quando não tenho coragem de dizer que sonho com alguém. Recomendo sinceridade, mesmo que seja constrangedor.
Gosto de sentir só um tipo de calor, aquele que é gerado do atrito de minhas genitálias com a de alguém. Quanto à todo o resto, procure mais oásis - porém, cuidado com as miragens.

quinta-feira, março 27

Derrotados

Intimamente, estou usando a mais simples linguagem hoje, para mostrar que não sou nada muito além de alguém normal e derrotado como todos.
É verdade, eu escrevo as coisas sem rimas ou fantasia também. Sem beleza nenhuma, pois, não há beleza em tudo. Confiem em mim, sei bem o que é derrota. Seria conveniente não fazer esse texto e continuar me deleitando em alguns sonhos. Mas não dá, eu não quero não.

"É eu perdí, está certo, tenho que me conformar e parar de sofrer."


Quanto tempo demoramos admitirmos isso?
Sabe, as perdas são definitivamente as piores dores. Em um relacionamento, por exemplo, você ama teu parceiro(a) e ele diz te amar, mas se entrega na primeira dificuldade e te deixa.
O que isso tem de perda, você deve estar se perguntando não é?
Parece só um termino de namoro e nada mais.


Então tá, vamos falar de expectativas:
Alguém pode acreditar cegamente em suas palavras, porque, anteriormente pode ter sido iludida, mágoada, abandonada e pode estar procurando se dedicar ou estar contando com você para o futuro.
São tantos "porques" e mesmo assim não fazem muita diferença, uma vez que prevaleça só um sentimento: amor verdadeiro. Sim, você amou e perdeu!

Não pensaram, se isso te faria sofrer, se você amava mesmo. O que importa agora é que vai ter que se conformar e aí mais um porque!
Porque você não tem nada a fazer, está além da sua escolha, muito além, está nas mãos de terceiros, quartos, quintos e até sextos. Mas nunca nas suas!

Meu simplório conselho é: Não tome-se por hipócrita, não quando tudo está sendo dito as claras. Está doendo, eu sei dói em mim também, mas acredite, dizer que vai dar a volta por cima, que foi melhor assim e blábláblás, não né!
Admita para sí mesmo, não tem nada a se fazer, não vecemos a todo tempo, isso é impossivel. Ser melhor é admitir e por pior que pareça se conformar que perdeu o que amava. Se estava dentro de suas possibilidades e você mesmo assim deixou ir, desculpe-me mais é muita burrice, diga-se de passagem. Porém, se você fez tudo que pôde, feche os olhos e crie forças para resistir, mas não minta. Não para sí mesmo, porque se você o fizer, não estará mentindo de fato, estará só alimentando mais dor.

Isso tudo está bem irritante e parece bem batido também. Então só leia quando for um derrotado. Garanto, vai fazer algum sentido.
Não se envergonhe, derrota é um estado, não uma eterna condição, acredite, um dia ela chega para você!

domingo, março 23

Em dez minutos, neon

Surdos. Estavam surdos. Eles estavam rasgando-se, não que eles já não estivessem abertos, mas o faziam com descaramento, vontade de contrariar as leis da física e ocupar o mesmo espaço. A luz era só um instante, um detalhe que excitava. Cores derretidas naqueles corpos suados, dois jovens sem sexo. Contraídos, era mais de quatro e quinze ou talvez o tempo estivesse morto. Definitivamente eles pulsavam, quem eles eram afinal? Dois corpos que não se conhecem, estranhos sem rosto, duas bocas e era só. Aquele gosto enferrujado, riscado em suas linguas. Em alguns instantes pude ouvir os dentes se colidindo, eles queriam mais. Um tinha medo, era cauteloso e estranhamente parecia duvidar de suas próprias duvidas. Outro tinha pressa, tanta que sufocava-se dentro dela. Disse-lhe: Venere loucamente, erroneamente. O que eles querem de nós? Segundos de colidição, um atou as mãos do outro. O gênero esta errado eu sei, mas aprendí desde a infância a masculinizar os pronomes. Insisto, o que eles eram?

Não sei te dizer, eles se querem e não sabem. Um paradoxo sem vertentes, o mesmo paradoxo. O mesmo. Mesmo. Elas ou eles eram definitivamente um ser só se masturbando, em público. São demônios andróginos sem livre-arbítrio. São gêmeos.

A dor deles era não saber nem mesmo o que faziam, por que eles não faziam nada, só imaginavam. Um não quer nada e nem ao menos sabe que não quer, outro quer mais do que pode imaginar e mente em silêncio. Eles se odeiam e morrem de nojo, tentam entender a ausênica de sentimento. Os lábios parecem intímos e ainda parecem pré-destinados à aquele ato.
Eu tinha dito, eles não tem livre-arbítrio.
Eles são um só.
São um só.
Um só.
Só.

quinta-feira, fevereiro 28

Diz

Eram Infinitos.
Vinte e cinco medos, pavores e demônios me estupraram.
Senti minha sanidade. Ou o que restou dela.
E assim adormecí novamente, novamente e mais.
Eu precisei de algumas horas para entender, olhei meu reflexo e ví, alguém fracassado e insistí olhar mais profundamente. Não podia ver muito além da pele áspera e do negro dos olhos.
O que eu queria?
Que sentissem pena de mim, talvez, ódio. Não queria ser notado e com a mesma vontade queria ser o eterno foco de todos, até daqueles que mal sabiam quem eu era.
Definitivamente auto-piedade, falta de carácter e uma covardia que não tinha o menor cabimento. O menor, o menor se quer.
Me abraçe e entenda que não dá para me compreender, isto é, simplicidade é a mais complexa conclusão que se pode tirar de um fato isolado.
Nunca estarei pronto para amar, pois eu nunca saberei a tal hora, a hora se faz e se vaí, independente de nossa percepção. Não sei se já amei e se vou amar. E amor poderia ser chamado de útopia, isso porque criaram um significado tão absurdo para ele que nem mesmo o sentimento se cabe.
Me dê chá quando me acordar, assim poupará uma agitação que o café, concerteza me despertaria. Me dê sonhos, sonhos e mais sonhos, não os de padaria, me dê aqueles lá, que você insiste em acreditar, talvez você não saiba. Então tá, vou te contar, sonhos não existem!
Não se assuste, é verdade! O que é tão sereno é o ato e não o sete.
Quando entrar, tranque a porta, ainda sim prefiro ser quadrado e medroso.
Quando entrar, traga consigo só vontade, sim eu vou me contradizer agora, nós vamos nos amar.


Dos eficazes

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